O 1º Desafio Caboclo D’Água de Remo nasce como um encontro entre esporte, natureza, cultura e consciência ambiental. Realizado no Lago Rio de Pedras, em Acuruí, distrito de Itabirito (MG), o evento foi concebido para valorizar este território singular por meio da prática esportiva responsável, da educação ambiental e do turismo sustentável. Mais do que uma competição, o desafio se apresenta como um chamado coletivo à proteção de um dos espelhos d’água mais simbólicos da região, promovendo visibilidade para a urgente necessidade de fiscalização, ordenamento e recuperação ambiental do lago.
A realização do evento reúne instituições e pessoas profundamente conectadas às águas, ao esporte náutico e à valorização do território: o Projeto Caboclo D’Água, a CRALMG, a Associação Sumo da Terra, o Festival Das Montanhas e Águas de Minas e a articulação com a plataforma de turismo Sempre Viva Ecoturismo. O Caboclo D’Água surgiu da vivência de Rodrigo de Angelis com o Rio das Velhas, o Lago Rio de Pedras e a região de Acuruí, integrando esporte, turismo sustentável, educação ambiental e preservação dos recursos hídricos. A CRALMG, por sua vez, traz ao desafio a solidez de uma trajetória pioneira nos esportes náuticos em Minas Gerais, com mais de seis décadas de atuação na formação esportiva e no estímulo ao contato responsável com a natureza. A Associação Sumo da Terra visa o fortalecimento do empreendorismo local através da economia criativa, o turismo sustentável e a formação de redes. Já o Festival Das Montanhas e Águas de Minas amplia esse encontro ao conectar cultura, música, teatro, ecologia e valorização dos vilarejos mineiros.
O evento será realizado no dia 7 de junho de 2026, a partir das 9h, no Projeto Caboclo D’Água, às margens do Lago Rio de Pedras, em Acuruí, como parte integrante do Festival Águas e Montanhas de Minas, cuja programação acontecerá nos dias 5 e 6 de junho. A premiação será realizada a partir das 16h, na Cervejaria Acuruí, em um momento de celebração com shows, chope artesanal, comida boa e muita festa.
Do ponto de vista esportivo, o desafio foi estruturado com base em princípios de segurança, organização e baixo impacto ambiental. Todas as modalidades previstas são não motorizadas, reafirmando o compromisso do evento com a preservação da lagoa e com uma ocupação consciente do espelho d’água. Estão previstas provas de caiaque, canoa canadense, stand up paddle (SUP), canoagem K1 e remo olímpico, com categorias individuais ou duplas, masculinas, femininas e mistas, ajustáveis conforme o número de inscritos. O percurso será realizado integralmente no Lago Rio de Pedras, com traçado demarcado, largada e chegada em área autorizada, distâncias adaptadas a cada modalidade e regras de tempo pensadas para garantir fluidez, monitoramento e proteção das áreas mais sensíveis.
A organização também estabelece diretrizes claras para a participação: uso obrigatório de colete salva-vidas, embarcações e remos próprios ou fornecidos pela organização, limite de atletas, provas em baterias controladas e acesso do público apenas a áreas previamente delimitadas. Essas medidas não apenas asseguram a boa condução esportiva do evento, como também demonstram que o uso da lagoa pode acontecer de forma ordenada, segura e compatível com a proteção de suas margens, de sua biodiversidade e da experiência de todos que convivem com esse ambiente.
Nesse sentido, o 1º Desafio Caboclo D’Água de Remo é também um manifesto. Ele se insere no mesmo contexto do movimento que pede a regulamentação do uso consciente da Represa Rio de Pedras, diante do avanço do assoreamento, da fragilidade ambiental da área e dos impactos provocados pelo uso desordenado de embarcações motorizadas de alta potência. Mas o evento também busca mobilizar a sociedade para problemas históricos e estruturais que afetam a bacia do Rio das Velhas e o entorno da represa muito antes dessa discussão mais recente: a precariedade do tratamento de esgotos em localidades da região, com reflexos importantes em áreas do alto curso e da bacia do Maracujá; o manejo inadequado de resíduos; o desmatamento de mata ciliar; e o avanço de ocupações e construções irregulares às margens do Lago Rio de Pedras. Ao trazer esses temas para o centro do debate, o desafio reafirma que proteger a lagoa exige olhar para o conjunto das pressões ambientais que comprometem a qualidade da água, a paisagem, a biodiversidade e o futuro desse território.
Realizado no receptivo Caboclo D’Água, às margens do lago, o evento se volta a atletas amadores, praticantes de esportes náuticos, moradores da comunidade, turistas e visitantes que reconhecem na natureza não apenas um espaço de lazer, mas um patrimônio vivo a ser respeitado. O desafio pretende fortalecer o vínculo entre pessoas e território, abrir caminhos para novas práticas esportivas e educativas em Acuruí e consolidar o Lago Rio de Pedras como referência de convivência entre esporte, turismo e preservação ambiental em Minas Gerais.
Assim, o 1º Desafio Caboclo D’Água de Remo afirma, com sensibilidade e firmeza, uma visão de futuro para a represa e para toda a região: a de que cuidar das águas é cuidar da memória, da cultura, do esporte, da paisagem e das próximas gerações. É um convite à participação, à consciência e ao compromisso coletivo com um território que precisa ser vivido, valorizado e protegido. Um evento de remo, mas também um movimento de pertencimento e defesa das águas.
Viva o Rio das Velhas. Mais amor, menos motor. Pelo lago Rio de Pedras Vivo.